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Como um slam pode estar dentro de um sarau

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Mapa de Saraus e Slams no Brasil.

Hoje, no estado de São Paulo, estima-se que existam cerca de 50 Slams. A organização se espalhou por todo o Brasil e, segundo estimativa feita em 2018, havia aproximadamente 150 comunidades em todo o país, sendo que em quase todos os estados há pelo menos uma.

Com base nisso, o ciclo de competição é organizado: Cada Slam, ao final de seu ciclo no final do ano, promove uma final que deve fazer parte do Campeonato Estadual (SLAM SP, SLAM MG, SLAM RJ, SLAM BA, etc.) e este leva(m) seu(s) representante(s) no Campeonato Brasileiro de Poesia Falada – SLAM BR. Vem do Slam BR quando alguém sai para participar do Mundial que será disputado na França. A poetisa enviada pelo Brasil em 2019 foi Pieta Poeta de Minas Gerais.

Mais do que apenas palavras
Por muito tempo – e talvez até hoje, em alguns tempos e lugares – a poesia foi entendida como algo respeitado, limitado aos meios acadêmicos, porém, o que chamamos de literatura periférica ou marginal (marginal em relação a qual instituição?) essa poesia produzida nas favelas e fora das cidades do Brasil mostrou outra face da poesia escrita e falada.

O movimento Slams fez uma viagem ao que havia sido criado pelos Saraus, como Sarau da Cooperifa ou Sarau Elo da Corrente, e ajudou a espalhar esse vírus literário nas ruas, praças, bares, universidades e escolas.

Essa ferramenta do Slam, além de ser um motor para empoderar cada indivíduo, para superar obstáculos como a vergonha ou mesmo a falta de um lugar para expressar sua poesia, é também uma ferramenta para um movimento político coletivo. Essa organização é hoje uma poderosa coalizão de causas sociais, um grande propulsor de visibilidade para negros, indígenas, LGBTQI+, mulheres, pessoas com deficiência, anticapitalismo, meio ambiente etc.

Slam é um lugar livre para falar sobre o que quiser: dor, amor, natureza, família; esses temas sociais se repetem na poesia: o próprio surgimento de Slams voltados para um público específico é uma prova da capacidade de mobilizar uma organização em torno de uma palavra. Alguns exemplos incluem:

Batida no Espaço Escolar
Além do palco, microfone e competição, o Slam também se organiza como um espaço livre, educativo e democrático para falar e ouvir; seu sucesso entre os jovens não é surpreendente. Seja através de vídeos no YouTube e Facebook, seja participando de leituras de poesia ou oficinas realizadas por poetas nas escolas, a palavra poesia ganhou outro significado para muitos alunos.

Essa relação entre a escola e o Slam levou à criação do Slam Interescola em São Paulo, que é um ciclo de batalhas de poesia que acontece em rede nas escolas públicas paulistas. Além disso, existem várias escolas que utilizam o Slam como ferramenta de ensino ou mesmo as obras de poetas do Slams e Saraus como referência nas aulas.

Escola de rua, ágora moderna, esporte, comunidade, expressão… Slam é tudo e muito mais. Em tempos de proteção da democracia, proteger e difundir o direito de falar é uma missão, e é disso que tratam os Slams.

Há uma grande importância de um espaço de voz para pessoas que são negadas a quase todos, e um lugar de escuta para uma sociedade que não está acostumada a ouvir e aprender – velhos e jovens. A competição está no centro dessa expansão e ascensão, aprendendo e ensinando a velha lição repetida incansavelmente por muitos poetas: a poesia salva.

My Slam, onde só as mulheres podem lutar;
Slam Marginália, onde só travestis, transgêneros e transexuais podem combatê-lo;
Slam do Corpo, que interpreta surdos, ouvintes e intérpretes;
Slam des Surdes, onde só competem surdos, sem intérprete

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